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Recycle Into Art

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nós os pais somos uns guerreiros.

Digo pais no sentido de englobar mães e pais. Pais no conjunto.

 

 

É um sentimento comum, penso eu. 

Mas não é isso que me trás aqui hoje.

 

Hoje, vou contar uma historia pessoal.

 

Vou partilhar convosco um episodio da minha vida. Hoje encontrei algo que me recordou essa noite, e decidi contar. Até porque nunca contei nada pessoal em relação a minha adolescência ou fase pré adulta.

Isto foi no verão de 2002 ou 2003.

 

Na altura tinha um grupo de amigos, que era o meu irmão, e um outro "irmão" filho doutro pai e doutra mãe. Porque era e é, só não somos do mesmo sangue, mas é meu irmão. Cresceu comigo no mesmo sitio, na mesma rua, escola juntos etc... hoje sou padrinho da primeira filha dele. Basicamente eramos os três. Existia mais uns quantos lá da rua, com quem nos dávamos também, mas normalmente eramos os três.

Nós, por norma e costume, ficávamos sempre na rua até a meia noite, ou uma da manhã. No verão, ferias da escola, não havia limite de hora para estar na rua. Principalmente com 18 ou 19 anos. Isto foi a minha adolescência até forever...

Gosto muito das noites por isso, porque era a parte do dia ainda, que estávamos todos juntos, e era só fazer merda! Brincadeiras de merda, ideias de merda, e risos de doer a barriga. Todas as noites, de todos os dias do ano. 

Uma certa noite... um calor do caralho, quase duas da manhã, alguém teve a decência de exprimir um pensamento ocorrido pelo sentido de um desejo, que era de ir ás bombas comprar qualquer merda para beber. FRESCO!!

E lá fomos nós.

Não nos vestíamos propriamente de acordo á legislação do código de roupa aceitável, nós ouvíamos heavy metal, e roupas de bandas e estilos alternativos era o que não faltava. Não tínhamos um ar suspeito, mas também não fazíamos para passar despercebidos. Acho que já lá chegaram.

O caminho até as bombas fazia-se bem a pé, e na altura alternativa a isso era bicicleta, e um tinha de ir à pendura, e ainda era uma boa subida. Descontraídos lá fomos nós ás bombas, na esperança de encontrar algo que nos refrescasse um pouco.

Entramos nas bombas, a fazer um alarido do caraças, o que não deixou lá muito contente o rapaz que estava lá a trabalhar.  E digo rapaz, porque ele devia de ter mais uns 5 ou 6 anos que nós.

Estava lá sozinho aquela hora, e acreditem, ainda se podia entrar nas bombas aquela hora. Hoje já não, mas era normal.

Começamos por ir direitos á arca frigorifica da Smirnoff. Que era na altura o que gostávamos de beber, e arctic vodka. Era com cada bessana. E lá estávamos nós, a tentar decidir o que levar, e como tínhamos tempo, e sabíamos que a noite ia ser longa, aquilo tinha de ser pensado. Mal sabíamos nós que de pensado não iriamos fazer nada.

E o que é que levamos??? e porque não whiskey?? e tas maluco!!! vamos levar Smirnoff, e mais umas merdas, e vamos levar vinho, e moscatel, e licor beirão... e estávamos ali nesta cena, que acabou por se tornar brincadeira e já andávamos a aparvalhar com as garrafas e merdas do género.

Até que chega a criatura... ohhhh pessoal, vocês vão escolher o que? tão aqui a bueda tempo, ainda não decidiram? 

Lá respondemos que estávamos ainda a decidir, mas que íamos levar alguma coisa, não era só para estar ali a ver. A criatura ficou lá parada, a olhar, e inclinava a cara para um lado, ficava com ela inclinada um tempo, depois inclinava para o outro, mudava a posição dos braços etc. E nós quanto mais víamos aquilo, mais nos riamos... O homem começa a bufar, a dizer que não podíamos estar mais ali. E nos respondíamos que ainda estávamos a decidir, que era tanta coisa, lol, mas que não íamos roubar nada, que se fosse preciso a ajuda dele, chamávamos e tal. Nisto eu desisto das bebidas, porque o meu irmão e o outro irmão andavam num tira e poe garrafas. Eles têm o mesmo nome ainda por cima, por isso é melhor os definir assim, irmão e outro irmão. E vou buscar batatas fritas e mais umas coisas para comer, e lá começa o gajo com as merdas dele e começa com insinuações estupidas, que eramos do bairro, se alguma vez tínhamos dinheiro pra bebidas, que íamos para ali para nos armar em homens, e que eramos uns putos tesos do caralho.

Eu ouço aquilo, venho ver o que se passa, ao qual pergunto ao cara, se ele tem sacos de plástico? Se tem muitos?? 

Ele com cara de parvo claro, respondeu que sim, mas porque? queres os sacos para que??

E eu disse, para os começares a encher com as garrafas que estão nesta arca, eu quero comprar a arca toda! Podes começar.

E ele lá foi buscar os sacos, e lá encheu seis sacos com Smirnoff. Compramos a arca toda, ficou sem Smirnoff. Foram 50 garrafas, gastamos quase 300 euros nessa noite os três.

Saímos os três das bombas cada um com dois sacos cheios de Smirnoff. Chegamos a casa fomos meter alguns sacos no frigorifico, e levamos dois para a rua. Cheios de gelo e tal, lá fomos nos. O spot na rua era mesmo em frente a minha casa na altura. Existia um muro e ficamos la sentados no chão encostados ao muro. Começamos a beber, e a rir daquela historia toda, ainda andamos a oferecer Smirnoff à parva... ora o segundo saco nunca mais acabava... o primeiro foi a vida num instante, mas o segundo, já custava a descer. Lá comíamos, lá bebíamos mais umas e tal, até que, bubadeira! 

E quando se deu o click da bubadeira, a passagem de dimensão, decidimos ir passear a pé, encontrar mistérios. Às três da manha.

Lá um deles vai ao grego, e depois o outro, e aí estou todo fodido, e vamos parar uma beca, vamos descansar. E assim foi, paramos por debaixo de um prédio, que tinha umas arcadas. Existia la um género de quadrado com aquele tipo de calçada que se encontra em lisboa na estrada, aquelas pedras quadradas cinzentas. E ficamos lá os três até que adormecemos.

 

Mas só acordamos dois.

 

Onde é que está o meu irmão? o de sangue.

 

Puto acorda, o meu irmão não está aqui. Começamos logo a stressar e fomos a minha casa ver se ele tinha ido pra cama ou merda do género. Chego a casa e nada. Não esta la nem la esteve.

Oh foda se, onde é que aquele gajo se foi meter? Estava bêbado fiquei curado, o outro irmão também, corremos a zona toda a procura do meu irmão, e nada. 

Até que já no desespero, sobre gotas de suor caídas da testa, vindas de preocupação pela perda de um familiar direto por quem tinha responsabilidade. Onde nunca existiu responsabilidade naquela noite... Onde, é que aquele puto pode estar. Foi aí, na questão que nasceu a pergunta.

Mano, a paragem do autocarro!!!! Ainda não la fomos, é o que falta!

E lá fomos nós, estrada acima que nem os estúpidos já todos rotos, assim que começamos a chegar ao topo da rua, começamos a ver o autocarro parado na paragem, e o condutor a tentar acordar alguém...

Levou duas belgas na testa acordou logo, e então puto???? bazas assim, não dizes nada, não acordas ninguém! curei uma bezana á tua procura, mas tu és parvo! Ficou todo fodido de ter sido acordado daquela maneira o senhor, e bazou para casa. Lá pedimos desculpa ao condutor do autocarro e lá seguimos o nosso caminho.

Eu e o outro irmão fomos jogar Ps2 até adormecer. A nossa alimentação era a base de pizzas. Era encomendar pizzas e pães de alho e coca colas, era só comer disto quase todos os dias. Só ao jantar é que a comida era mais saudável. Mas como não parávamos quietos, sempre a mexer de um lado para o outro, tipo poster imperativo, não consigo estar parado. Eramos magros.

Eu ando a tentar restaurar umas cassetes que tenho de 8mm com filmagens minhas e sketches de comedia que já fazíamos na altura... prometo que assim que tiver tudo digitalizado, eu faço um vídeo e coloco aqui com algumas partes dessa minha historia de vida.

 

Espero que tenham gostado, fiquem bem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Sky Is Not The Limit

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